Novo normal? Talvez um museu de grandes novidades

Oito práticas para líderes em tempos de mudança: dados, confiança, saúde, soft skills e a energia que sustenta pessoas e resultados.

Pessoa trabalhando de casa diante de um notebook.
Imagem reprodução

Constantemente, no mundo corporativo, somos colocados à prova, expostos a desafios que, muitas vezes, nos dão frio na barriga e ansiedade por saber se chegaremos do outro lado, se seremos aprovados, se teremos êxito.

Nada distante, mas às vezes um tanto escondida, está a realidade do nosso dia a dia para todas as outras relações que estabelecemos, tanto com a família, com os amigos, com os profissionais dos serviços que usamos quanto com as coisas que compramos ou consumimos.

E o que tudo isso tem a ver com o momento de pandemia que vivemos? O ser humano, em sua incrível complexidade, foi exposto a uma overdose de provações, constantes e de diversas proporções, em todas as esferas do dia a dia e também dos pilares estruturais da nossa vida.

Considerando os componentes que nos definem como seres pensantes, como a personalidade, a formação da identidade, a capacidade de dominar nossos instintos, a tomada de consciência para aprendizados e evolução, podemos experienciar a potência que tem a inteligência emocional, a sensibilidade ao ambiente e a capacidade de empatia, afeto e amor ao próximo… O orçamento das famílias, o resultado e a produtividade das empresas, a economia dos países e a riqueza do mundo inteiro foram diretamente afetados pela fragilidade do sistema em que estamos inseridos.

Os líderes de negócios estão sujeitos agora, inevitavelmente, à confiança nas pessoas. Confiança para cumprimento de tarefas, confiança para o equilíbrio nos horários e na jornada de trabalho e confiança na produtividade para cumprimento de metas e resultados acordados.

Em entrevista ao portal Meio & Mensagem, Leonardo Berto, gerente de recrutamento da consultoria Robert Half, comenta que o trabalho remoto, de maneira estendida, exige a adoção de novas ferramentas e o aprimoramento de metodologias de gestão. Sejam novas formas de conduzir a governança empresarial, a adoção de metodologias ágeis nas estruturas de projetos ou a dinâmica da gestão do dia a dia dos negócios e dos times, estamos diante de um tema elementar: o comportamento do ser humano.

No sentido de que o óbvio deve ser sempre ressaltado, existem algumas boas práticas que podem ser amplamente difundidas e intensamente praticadas. São exercícios constantes que, como seres pensantes em incessante tomada de consciência e busca por evolução, podemos adotar:

1. Ressignificação de tempo e indicadores

Estamos diariamente adaptando o tempo de dedicação para cada atividade: quantas horas devo dedicar ao meu time, aos meus clientes, a mim mesmo, à minha família. Esse novo encaixe das engrenagens exige que acompanhemos novos drivers e indicadores, sendo essencial ter clareza na comunicação, flexibilidade para alocar os melhores recursos para cada necessidade e, o mais importante: dados são determinantes para dar qualidade e consistência às relações remotas.

2. Menos feeling e mais dados na gestão de pequenas e médias empresas

É questão de sobrevivência que as pequenas e médias empresas implementem ou reforcem a cultura de dados no dia a dia. Não basta definir indicadores e rotina de coleta e análise: é preciso estabelecer uma cultura focada em dados, porque só assim os resultados são claros e fiéis, e só assim os líderes conseguem tomar decisões ágeis e direcionadas para resultado.

3. Home office sai da pauta do RH e entra na do financeiro

Antes da pandemia, muitos líderes abordavam o home office como um tabu: ou era um mega benefício ou era proibido, por ser classificado como improdutivo. Com o distanciamento, as equipes foram obrigadas a se afastar fisicamente, os líderes a liderar remotamente e os resultados a serem entregues de longe. Ficou clara a produtividade que cada um tem, individualmente e como grupo, de maneira remota. Isso otimiza recursos financeiros, tempo e qualidade de vida.

4. Mais proximidade entre os times, apesar da distância

Eu sentia que o home office traria distância nas relações, mas estou muito mais próxima do meu time do que antes. Talvez focássemos tanto na “nossa caixinha” que esquecíamos de olhar para o lado, para o outro, para o cliente, e reconhecer como podemos ser solução. Quando enxergamos que não estamos sozinhos, que tem gente com quem podemos contar e gente que conta conosco, as relações fluem, os nós se desfazem com a dose adequada de energia e os resultados aparecem.

5. Saúde e bem-estar em pauta

Este é, para o que tenho experienciado, o tema mais relevante. Para tudo o que fazemos precisamos de disposição, energia vital e energia criativa. Falar disso no mundo corporativo era um tema restrito ou de fachada. Agora é a hora: o ser humano, sob altíssima pressão por resultados, precisa se cuidar antes de produzir. Nossa atenção e produtividade estão diretamente relacionadas à nossa capacidade de nos manter em equilíbrio.

6. Adaptação a novas ferramentas digitais

Adotar tecnologias ágeis é vital. Todo mundo já está na cena digital. A implementação de ferramentas é essencial, mas ainda mais importante é a forma de aplicação e o aculturamento das pessoas. De novo, trabalhar o comportamento humano diante das mudanças é o que determina o bom resultado de um grupo.

7. Soft skills ganham ainda mais destaque

Já fui muito chamada de “abraçadora de árvores”, por trazer sempre a escuta generosa, o afeto e o não julgamento para as relações de trabalho. Mas sentimos, cada dia mais, o quanto é essencial nos comunicar com clareza, olhar para as necessidades dos grupos com que nos relacionamos e reconhecer como podemos ser agentes de transformação onde quer que atuemos.

8. Mudança na relação entre empresas e clientes no B2B

O ser humano é relacional. Instituições, governos, indústrias, serviços e pontos de venda são compostos por pessoas, para pessoas. Cuidemos das pessoas em todos os espectros da vida: emocional, física, espiritual, financeira, psíquica, ecológica, social e intelectual. As famílias, os negócios, as economias e o mundo dependem disso.

Tudo é energia

Prontos ou não, devemos reconhecer as maneiras mais adequadas e saudáveis para lidar com as novas exigências destes relacionamentos: eu comigo mesmo, eu com meu time, eu com meus clientes, eu com minha família, eu com meus sócios, eu com meus amigos. Cada relação pede um nível de dedicação, de tempo, de disposição e de conhecimento.

O que estou fazendo para recarregar minha energia? Para onde tenho direcionado a energia que gasto dia após dia?

  • As pessoas com quem me relaciono estão sentindo minha energia com que intensidade e positividade?
  • Quanta atenção tenho dado às necessidades dos meus clientes e da minha família? E às minhas?
  • Como priorizo o meu gasto de energia, e o da minha equipe, na condução de projetos ligados a metas estratégicas?

Ficam aqui alguns questionamentos para seguirmos na trilha da tomada de consciência e da busca por evolução das nossas relações e dos nossos resultados.

Camila Gracioli

Camila Gracioli

Economista, especialista em psicologia, gestão de pessoas e saúde no trabalho. Há mais de 20 anos ajuda empresas a melhorar resultados sem adoecer as pessoas.

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